“Porquê a DIPROF?” por Jorge Humberto Dias

 

A DIPROF (Associação pela Dignificação da Profissão de Professor) foi fundada a 27 de abril de 2018 por 23 professores de várias áreas e níveis de ensino.

No entanto, a história não começou nesse dia.

O movimento começou nas redes sociais, quando criei, em novembro de 2017, o grupo “Iniciativa PARA UMA ORDEM DOS PROFESSORES”, que atualmente já conta com quase 27.000 membros. Aos poucos fui convidando colegas que se manifestavam interessados em colaborar de forma mais ativa no processo de criação da Ordem dos Professores.

Através de um Formulário Online, feito pelo professor João Marco, foram identificados cerca de 300 professores (25%) motivados para trabalhar na criação da Ordem. No total, responderam, voluntariamente, cerca de 1200 professores. Nem todos tinham uma opinião formada sobre o significado de um Ordem dos Professores (39%), mas todos tinham interesse em saber mais. 36% não tinham disponibilidade para trabalhar no projeto. Como era impossível trabalhar com 300 pessoas numa equipa, perguntámos quem estaria disponível para organizar um encontro nacional. Cerca de 30 disponibilizaram-se. Criámos então um grupo de trabalho apenas para esses. Mais tarde, decidimos criar a “DIPROF – Associação pela Dignificação da Profissão de Professor”, e 23 quiseram ser sócios fundadores.

Desde fevereiro, a DIPROF já reuniu 3 vezes: em Coimbra, em Lisboa e em Espinho. A próxima reunião, a 4ª, vai ser na Marinha Grande, no dia 29 de setembro. Atualmente, a DIPROF tem 3 grupos no Facebook: um apenas para os associados, um para os órgãos sociais e manteve-se a “Iniciativa” aberta a todos os professores (mas com uma administração rigorosa ao nível do respeito entre colegas – um dos aspetos mais criticados noutros grupos de professores – sob a coordenação do professor Pedro Fernandes). A DIPROF tem uma drive, onde arquiva todos os documentos e elabora documentos em conjunto. Tem também 2 chats (trabalho e café) para conversa entre os membros, onde são trocadas ideias, tomadas decisões, etc. Com uma equipa de diversos pontos do país, é impossível organizar reuniões presenciais com a frequência que se gostaría. Sobretudo porque a DIPROF não tem apoios financeiros de nenhuma entidade.

Na Marinha Grande, vai ser analisada a possibilidade de reuniões online. Quanto ao funcionamento, orgulho-me de pertencer a uma equipa que decide sempre de forma democrática e colegial, ouvindo todos os membros dos 3 órgãos sociais. Realizam-se “sondagens” frequentes no grupo e é assim que são tomadas decisões de forma transparente. Apesar da DIPROF ter 3 órgãos sociais, como a lei obriga, o seu funcionamento é original: as reuniões e os processos contemplam sempre todos os membros e os cargos são “irrelevantes”.

Inicialmente foram definidos grupos de trabalho temáticos, mas na Marinha Grande vai ser reanalisada essa estratégia organizativa. Existe a consciência do desafio que foi criar uma associação com 23 pessoas que não se conheciam. Talvez por isso a DIPROF ainda esteja numa fase de maturação interna.

No entanto, já foi feito um trabalho fantástico: conseguiu-se analisar a Lei nº 2/2013, de 10 de janeiro, que regula a criação e o funcionamento das Ordens Profissionais. Já foi debatida a história, ou seja, as outras tentativas para criar a Ordem dos Professores, como foi o caso da Pró-Ordem dos Professores (que é atualmente um sindicato), da Associação Nacional de Professores, etc. Também já foi realizada pesquisa bibliográfica sobre trabalhos de pós-graduação, dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre temas relevantes para a Ordem dos Professores. Sabe-se qual o caminho a trilhar e temos noção que não será fácil. Precisamos de uma equipa unida e empreendedora, com capacidade de trabalhar à distância e focada na valorização da profissão. Na DIPROF, a profissão é mais importante do que os interesses económicos, políticos, etc.

Posto isto, a reunião da Marinha Grande vai ser muito importante, pois vai ser realizado um balanço do caminho percorrido até aqui e vai ser definido o Plano Anual de Atividades, tentando obter de cada membro um compromisso para cada tarefa.

Alguns dos objetivos intermédios da DIPROF terão de ser os seguintes: divulgar a DIPROF através de ações, sendo de destacar conferências com especialistas conceituados; ações de formação de curta duração sobre temas relevantes para a Ordem dos Professores; constituir um conselho consultivo, com especialistas de reconhecido mérito; desenvolver o site da DIPROF de forma criativa e original; aumentar o número de sócios; desenvolver as estruturas regionais.

Sabemos que a DIPROF vai ter de reunir com todas as Ordens Profissionais, para obter apoios, conhecer experiências e aprender com os processos. Vai ter de reunir também com as Associações de Professores (artº 3º) e com os Sindicatos. 

Mais tarde, terá de reunir com os Partidos Políticos, pois será a Assembleia da República que vai aprovar, ou não, a proposta da DIPROF. Outras entidades poderão ser incluídas no programa de reuniões da DIPROF.

E o que deverá conter a proposta/estudo da DIPROF?
- Estatuto do Professor (que no futuro deverá ser um documento europeu);
- Normas Técnicas (artº 2º);
- Código Deontológico da Profissão Docente (artº 2º);
- Regime Disciplinar Autónomo (artº 2º);
- Projeto de Diploma de Criação - necessidade e pertinência da Ordem dos
Professores (artº 7º);
- Estatutos da Ordem dos Professores (artº 8º);

Estes 2 últimos terão de estar em consulta pública por 60 dias.

A DIPROF precisa de todos! Se cada um der um pequeno contributo…

Jorge Humberto Dias
Vogal da Direção Nacional da DIPROF
E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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